7.5.14

Chá com Alice - I

7.5.14
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Debulhando migalhas de lágrimas, tropecei n'uma estranheza sem berço o meu olhar de surpresa, até reencontrar o caminho de outros segredos nos meus joelhos esfolados. 
— Como pode esse lugar sem beiras no mapa, ser assim tão inspirável? Essa imprevisibilidade toda por aqui me tonteia!

Não há chaves, nem fechaduras e meus olhos não enxergam o seu real tamanho. Nem o meu. Aliás, eu desconfio de que posso ser do tamanho que eu quiser.
— Maldito rabbit engomadinho que me apressa o caminho com seu maldito relógio! Não quer me dar tempo ou quer que eu busque-o demais?!

Ah, esse coelho! Talvez nem saiba que o atraso já é tempo parado no tempo, há tempos. Que é uma linha tênue que nunca foi futuro e caso já tenha sido, foi-se logo que nem despertou a tempo. Mas a minha curiosidade não acompanha o seu ponteiro (dis)parado, ela ultrapassa-o e não teme seus esconderijos intocáveis e arredios que rodeiam a sua côrte.  

Deve ser por isso que corre tanto e nunca se deixa ver:  Quem muito se entoca, não se deixa tocar. 

│Samara Bassi│

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3 comentários:

Crônicas de Areia disse...

Só sente o gostinho de “perder-se" quem se permite a isso.
Perder-se? Isso é bom?

É, e eu posso afirmar que somente aquele que se perdeu é que realmente conheceu as variantes do caminho. E somente teve emoção aquele que se permitiu conhecer o desconhecido, o que está além, ou aquilo que alguns dizem que sequer existe.
Não existe? Ou será que existe mas não querem que você saiba?
Honestamente, andar sempre na linha acaba cansando.

Nascemos e crescemos sob preceitos e regras que outros acreditam serem os melhores e mais adequados.
Adequados e melhores para quem?
Isso é igual a dar nome para um filho. Ninguém pergunta ao filho se ele vai gostar, e acabam dando cada nome idiotaaaaaaaa.
Com os preceitos e caminhos, é a mesma coisa, todos querem que sigamos aqueles já desvendados e afundados de tanto que se caminha por eles.

Quero os meus caminhos. Quero aqueles em que eu deposite minhas dúvidas e, mesmo não obtendo respostas, onde eu tenha a sensação de ter tentado. Respostas? Bom, se quero respostas, preciso das perguntas primeiro. Mas como farei perguntas, se querem que eu siga por caminhos já trilhados e por um lugar onde "não existem mais dúvidas"?

Sou assim, Samara. Porra loka igualzinho a você, ou até mais.
E é justamente por isso que quero perpetuar nossa espécie, misturando a tua e a minha. Quer saber? Muito além de um código "cromossômico", nossa bebê terá mesmo é nossa birra, nossa marra e nossa curiosidade.
Prontinha pra “explodir” tudo se for preciso.

Sobrou um cadim desse chá? rsrs.

Que show, meu amor. Que show.
To acostumado a vir aqui e escrever linhas e linhas do mais puro romance, mas hoje soltei meu lado mais maluco, que junto ao teu, chacoalha um tanto essa nossa toca de urso.

Urso? Pois é! Toquinha de coelho é tiquitita demais. E quem disse que nas loucuras de Alice, não sobra um canto pra um ursinho também?

Adorei, amor meu.

Marcio

Be Lins disse...

Querida, Sam!

Saudades de você.
Lindo post, como sempre, tocante,
faz pensar, e no meu caso,
a historinha de se entocar:
_ ando assim, entocada. O mundo me dói um pouco.

Dói em você, ás vezes?

Beijo,
obrigada por vir me ver.

Be

Déborah Arruda. disse...

Sam, isso foi um chá de se toque pra mim. Ando assustada a permissividades, construindo muros que só tem me trazido dor e um peito comprimido. Obrigada pela leveza de sempre!
Meu beijo.

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